Memoria:Beto Rockefeller e outras

Beto Rockefeller foi uma novela que marcou época na TV brasileira por vários motivos. Uma das inovações foi  a inclusão da música popular, nacional e internacional, na trilha sonora das novelas. Cassiano entregou a Lima Duarte, diretor da novela, uma série de discos da boate, muitos deles ainda não vendidos no Brasil. A gente ainda se  orientou a escolher ali os temas musicais de cada personagem. O diretor até hoje se lembra das cenas em que Renata, vivida por Bete Mendes, aparecia ao som de “F… Comme Femme”. “Dava um close na Bete, que estava lindíssima, soltava a música e não precisava de mais nada”, derrama-se Lima.

Mauro Alencar aponta justamente estas cenas como precursoras de outra tendência lançada por Beto Rockfeller. “As cenas da Bete com ‘F… Comme Femme’ eram nitidamente clipes. Foi a primeira novela que usou as cenas de pensamento dos personagens com música ao fundo”, destaca.A trilha de Beto Rockefeller nunca foi lançada, mas algumas das suas músicas principais estão presentes nesta coletânea que o Raras Músicas traz aqui. Embora algumas como Estácio Holly Estácio tenham sido bem posteriores à novela, vale curtir alguns dos temas originais e raros como os de de Shirley and Alfred e a gravação dos Turtles para Surfer Dan, que era tema do próprio Beto

Faixas/Tracks

  1. F…Comme Femme – Adamo
  2. Here,There,Everywhere – Beatles
  3. I Started a Joke – Bee Gees
  4. Sentado à Beira do Caminho – Erasmo Carlos
  5. Dio Come Ti Amo -Gigliola Cinquetti
  6. Nobody But Me – Human Beinz
  7. You’ve Got Your Troubles – Jack Jones
  8. Estácio Holly Estácio – Luiz Melodia
  9. Abraham, Martin and John – Moms Mobley
  10. Kid Games and Nursery Rhymes – Shirley and Alfred
  11. I’m Gonna Get Married – Suday
  12. Surfer Dan – The Turtles

Download:  Beto Rockefeller e outras

Memória: O disco mais caro do Brasil

 

Mais uma história interessante da MPB.

O texto abaixo é de Idelber do Blog : O Biscoito Fino e a Massa(leia no original) e que eu peço “emprestado”

“Em 1973, o paraibano Zé Ramalho estava cansado de animar bailes em bandas de iê-iê-iê de João Pessoa e Campina Grande. O pintor Raul Córdula lhe avisou que no Recife havia um pessoal diferente, conhecido pela alcunha de udigrudi pernambucano. Foi pra lá. O guru era Lula Côrtes, um hiperativo que dividia seu tempo entre o desenho e o seu inseparável (e legendário) tricórdio.

Este disco não foi a estréia de Zé. Ele havia entrado no estúdio em 1973 para participar de uma maluquice coletiva chamada Marconi Notaro no Sub Reino dos Metazoários. Lula Côrtes se firmara como líder da turma durante a I Feira Experimental de Música do Nordeste (11/11/1972), também conhecida como Woodstock cabra da peste.“O ácido era distribuído ao público, cercade duas mil pessoas, dissolvido num balde com K-suco”, testemunhou depois Marco Polo, futuro membro da Tamarineira Village, numa entrevista ao jornalista pernambucano José Telles (autor de Do Frevo ao Manguebeat, Editora 34).

No início de 1974 Zé foi apresentado a Lula, que vivia com a namorada Kátia Mesel no então distante subúrbio de Casa Forte (que virou bairro nobre do Recife). Lula lhe falou da Pedra do Ingá e da idéia de fazer um disco inspirado no sítio arqueológico de Ingá do Bacamarte. O disco foi feito em 1975 no estúdio da Rozenblit (empresa fundamental para a história da música pernambucana) e lançado imediatamente. Mas na terrível enchente de julho daquele ano no Recife, as águas do Capibaribe invadiram a fábrica e destruíram praticamente toda a prensagem do disco, com a exceção de 300 cópias que haviam sido levadas para a casa de Lula e Kátia.Dessas 300 cópias nasceu o mito, que é tão incrível que há gente que não acredita.

Hoje é possível encontrá-lo em CD, lançado pela Shadoks, um obscuro selo alemão. Aí no Brasil o disco sai por um preço bem salgado: alguém oferece um exemplar do CD no Mercado Livre por 120 mangos. No site da CliqueMusic é possível ouvir os primeiros 30 segundos de cada faixa. E também está disponível por aí na rede, claro, para quem tem as manhas.

Hoje, o vinil original de “Paêbirú” é o álbum mais caro da música brasileira, atualmente avaliado em mais de R$ 4 mil. O LP desbanca, inclusive, o disco “Louco por Você”, de Roberto Carlos, avaliado na metade do preço.

Cada lado do LP tem um conceito: fogo, ar, terra e água. Cada um tem uma sonoridade. Fogo é mais roqueiro, ar é mais etéreo…Água tem homenagem a Iemanjá…(O Globo)

Faixas/Tracks:

  1. Trilha de Sumé
  2. Harpa dos Ares
  3. Não existe molhado igual ao pranto
  4. Omm
  5. Raga dos Raios
  6. Nas paredes da Pedra Encantada/Os segredos talhados por Sumé
  7. Maracas de fogo
  8. Louvação a Iemanjá
  9. Beira-mar
  10. Pedra templo animal
  11. Sumé

Download: Paebi raro 75

Memória: Paulo Moura (1933-2010)

Moura morreu de câncer, no fim da noite de segunda-feira (12), na clínica São Vicente, na Gávea, zona sul da cidade. A instituição informou que ele tinha linfoma (câncer do sistema linfático) e estava internado desde 4 de julho.

Clarinetista e saxofonista, Moura era considerado um dos principais nomes da música instrumental no Brasil e tocou com Ary Barroso, Dalva de Oliveira e Elis Regina, entre outros.

O músico nasceu em 1933, em São José do Rio Preto (interior de São Paulo), e começou a estudar música aos nove anos, incentivado pelo pai e irmãos — também músicos. Aos 11 anos, começou a tocar no conjunto de seu pai – Pedro Moura – em bailes populares. Em 1947, se mudou para o Rio de Janeiro com a família. Gravou seu primeiro disco, “Moto Perpetuo”, em 1956.

Moura ganhou o primeiro Grammy Latino para Música de Raiz com o trabalho “Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas”, em 2000. E foi indicado novamente ao Grammy em 2008, na categoria Melhor CD Instrumental, como disco “Para cá e Pra Lá”.

Seu último trabalho foi o CD AfroBossaNova, lançado em julho do ano passado. Em 2009, ele também fez shows na Tunísia e no Equador.(texto: Folha de São Paulo)